BENEFÍCIOS DE DIGITALIZAÇÃO


Alguns desafios específicos ajudam a explicar a ainda baixa importância dada a digital e inovação em infraestrutura:


  • Ausência de cultura de inovação: empresas focadas em projetos diários e que dedicam pouca atenção à inovação;
  • Baixa escalabilidade de modelos de negócio complexos: dispersão geográfica dos projetos de infraestrutura, sendo que cada um deles é único e tem seus próprios recursos e desafios;
  • Ausência de capacidades dentro de casa: falta de know-how e experiência nas empresas, bem como nas fundações para condução da transformação digital (processos, sistemas, pessoas etc.).


Essa baixa relevância de digital torna-se cada vez menos intuitiva considerando todos os benefícios que o uso de ferramentas digitais pode trazer. Por exemplo, empresas mais avançadas digitalmente atingem redução de 16% do custo total ao longo de um projeto de rodovia, além de 23% de diminuição do tempo de construção; no caso de uma planta de geração de energia, a redução do custo chega a 12%, com 15% de diminuição do tempo de construção.


Na prática, essa performance superior via digital significa maior geração de valor futuro e se reflete hoje na valorização das empresas tecnologicamente mais avançadas. Por exemplo, as empresas de Engenharia, Construção e Serviços (ECS) tecnologicamente mais ativas possuem múltiplos superiores aos da indústria.

As tecnologias que vêm sendo utilizadas para ganhos em infraestrutura são várias. Em um trabalho do Fórum Econômico Mundial com apoio do BCG foram mapeadas as dez principais digitais nos diferentes segmentos de infraestrutura:

  1. BIM (Building Information Modeling)
  2. Big data, analytics preditivo e inteligência artificial
  3. Monitoramento remoto e equipamentos conectados
  4. Colaboração em tempo real e na nuvem
  5. Realidade aumentada e virtualização
  6. Escaneamento 3D e fotogrametria
  7. Impressão 3D e manufatura aditiva
  8. Pré-fabricação e construção modular
  9. Materiais de construção avançados
  10. Construção autônoma

BIM, por exemplo, foi considerada a tecnologia mais impactante em engenharia e construção pelos CEOs do Fórum Econômico Mundial em Davos, sendo apontada como peça central da transformação digital e grande alavancadora de produtividade ao longo da cadeia de valor.

De fato, os ganhos típicos são relevantes: redução de 30% do tempo de design e de 8% dos respectivos custos, bem como diminuição de 10% do tempo de construção e de 3% dos respectivos custos, obtidos através de melhor detecção de conflitos, visualização 3D de planos de construção, melhoria de gestão e maior facilidade de obtenção e compartilhamento de dados.


Além disso, algumas empresas de infraestrutura já começaram a aplicar BIM de forma ampla, como a Skanska, que utilizou BIM ao longo de todo ciclo de vida do hospital New Karolinska Solna, com resultados bastante positivos.


Em operação e manutenção, o padrão se repete: há uma série de tecnologias transformando os diferentes segmentos de infraestrutura. Os exemplos são vários, tais como:

  • Projeção de demanda de longo e curto prazos via analytics avançados;
  • Alocação ótima de ativos real-time;
  • Manutenção preditiva via sensores real-time e analytics em empresas;
  • Inspeção e manutenção remota via drones/ sensores ou realidade aumentada;
  • Uso de equipamentos de realidade aumentada para manutenção.

Em um projeto recente no setor elétrico brasileiro, por exemplo, a implantação de um modelo preditivo para manutenção via advanced analytics levou a melhoria potencial de 10% a 20% nos indicadores de qualidade ou redução de custos de 30% a 50%, mantendo-se o mesmo nível de qualidade. Outro exemplo recente foi o uso de redes neurais para aprimorar a detecção em uma empresa de distribuição de energia no Chile, resultando em 65% de melhoria na eficiência das inspeções.


Vale a pena também destacar que o uso de digital não necessariamente se restringe a avanços nos negócios atuais das empresas. Digital está sendo utilizado também para buscar novos modelos de negócio. Como exemplo, operadoras de rodovias europeias estão explorando opções de novos negócios, quer seja a criação de serviços oferecidos diretamente aos usuários da rodovia gerida (B2C), quer sejam serviços de integração logística e entrega, quer seja o início da oferta de serviços de cyber segurança para outras empresas de infraestrutura.


Santiago Castagnino (BCG)